Sempre fui péssima com mudanças. Pequenas ou grandes, todas me assustavam. Mas, com o tempo, aprendi a lidar com aquelas menores: trocar a disposição dos móveis, testar um novo corte de cabelo, mudar a rotina. Coisas simples. Só que agora estou diante de uma das maiores mudanças da minha vida, e nada parece me preparar para isso.

Estou deixando para trás a casa onde vivi por 20 anos. Meu refúgio, meu porto seguro, o cenário de todas as minhas lembranças mais marcantes. E, para ser sincera, não estou nem um pouco feliz. Essa mudança dói mais do que eu imaginava. Amo essa casa, cada parede, cada canto, cada detalhe que fez parte da minha história. E perder meu cantinho no mundo – meu quarto, meu espaço – tem sido devastador.

Sei que mudanças acontecem por um motivo. Dizem que devemos confiar no processo, acreditar que algo melhor está por vir. Mas, agora, eu simplesmente não consigo enxergar isso. Meus pais estão radiantes, animados com a ideia de uma casa menor, mais prática, mais a cara deles. Eu entendo. Eles têm seus próprios motivos, suas próprias expectativas. Mas e os meus sonhos? E as promessas silenciosas que fiz a mim mesma dentro dessas paredes? Onde fica tudo isso?

Ninguém parece entender o luto de perder um lar. Falam sobre os ganhos, sobre a empolgação do novo, mas ninguém fala sobre o vazio de deixar um lugar que te moldou. Estou tentando lidar, mas tem sido difícil. Muito difícil.

Não há uma conclusão para esse desabafo. Apenas uma verdade simples e crua: mudanças, mesmo as necessárias, doem. E tudo bem sentir essa dor.

E vocês? Como lidam com mudanças? Quero saber.

Autor

marixribeiro@gmail.com

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