Esse ano não foi dos mais fáceis pra mim. Principalmente o segundo semestre. Passei por vários altos e baixos, tropecei mais do que gostaria e, em meio a tudo isso, acabei sumindo daqui. Não foi por falta de carinho com esse espaço, foi só a vida pedindo um pouquinho de silêncio, pausa e respiro.

Tenho aprendido, aos poucos e nem sempre do jeito mais delicado, que nem tudo vai sair perfeito ou exatamente como eu planejei. Às vezes a gente se esforça, organiza, sonha… e mesmo assim as coisas saem diferentes. E tudo bem. A vida não segue roteiro, e a gente também não precisa dar conta de tudo o tempo todo.

No meio desse ano confuso, a terapia virou um verdadeiro abraço. Um lugar seguro pra falar sem medo, chorar quando precisava, rir de nervoso e também ouvir verdades. Ela me acalma, me organiza por dentro e, de vez em quando, me dá aqueles puxõezinhos de orelha necessários. Mas, acima de tudo, me ensina a olhar pra mim mesma com mais carinho.

E se tem uma conclusão que eu tiro desse ano, eu digo sem pensar duas vezes e com muito amor envolvido: todo mundo precisa fazer terapia. Não só quando tudo desmorona, mas também pra se conhecer melhor, se cuidar e se respeitar mais.

Meu começo na terapia não foi nada fácil. Passei por seis psicólogos até encontrar alguém com quem eu realmente me sentisse à vontade. Cada tentativa vinha com expectativa, medo e um cansaço silencioso. Quando finalmente encontrei uma terapeuta que me acolheu de verdade, senti que tinha encontrado um lugar seguro.

Depois de cerca de um ano, essa terapeuta acabou se mudando de cidade, e eu precisei recomeçar. Confesso que doeu. Fiquei com medo de não conseguir me adaptar, de perder tudo o que eu tinha construído até ali. Começar de novo sempre assusta, ainda mais quando envolve sentimentos tão profundos.

Mas, como a vida gosta de surpreender, a terapeuta atual foi indicada pela anterior e, com o tempo, tudo foi se encaixando. Hoje, posso dizer com tranquilidade que gosto ainda mais dela. Sem esse acompanhamento, eu não seria quem sou hoje. A terapia me ajudou a crescer, a entender meus limites e a respeitar meu próprio ritmo.

Olhando pra trás, esse último ano foi intenso. Não foi fácil, mas foi muito necessário. Aprendi muito sobre mim, sobre minhas emoções e sobre a importância de me acolher nos dias bons e, principalmente, nos dias difíceis. Aprendi que pedir ajuda é um gesto de coragem e que cuidar da saúde mental é um ato de amor próprio.

No fim das contas, só tenho gratidão. Pelas quedas, pelas pausas, pelos recomeços e pelas pequenas vitórias que nem sempre aparecem de imediato. Esse processo todo me trouxe mais leveza, mais consciência e um carinho maior comigo mesma. E isso, no fim do dia, me deixa verdadeiramente feliz.

E, pra quem chegou até aqui comigo, desejo um Natal cheio de aconchego. Que seja um tempo de pausa, de abraço apertado, de mesa simples, mas com afeto de sobra. Que você consiga descansar o coração, mesmo que nem tudo esteja no lugar ainda.

Que o Ano Novo venha com mais gentileza com você mesma, com menos cobrança e mais cuidado. Que traga recomeços possíveis, sonhos tranquilos e coragem pra pedir ajuda quando precisar. Um passo de cada vez já é mais do que suficiente.

Feliz Natal e um Ano Novo cheio de luz, saúde e carinho. Obrigada por estar aqui. 🎄✨